Adnan Masih, 34 anos, e sua esposa cristã foram vítimas de um ataque violento no distrito de Faisalabad, província de Punjab, no Paquistão, enquanto retornavam para casa de motocicleta. Dois homens armados e mascarados os abordaram, roubaram pertences e, após descobrirem que eram cristãos, agrediram o casal em um crime que incluiu estupro coletivo.
O caso ganhou repercussão após a mídia local noticiar a inação inicial da polícia. Segundo relato de Masih ao Morning Star News, os criminosos exigiram mais dinheiro após o roubo inicial. Ao mencionar sua fé cristã e sua ocupação como trabalhador de olaria, os agressores passaram a sussurrar entre si. Um terceiro homem foi chamado ao local.
“Um deles arrastou minha esposa para um matagal, enquanto os outros me amarraram a uma árvore com o cordão da minha calça”, descreveu Masih. “Ouvi os gritos dela, mas não pude fazer nada. Eles se revezaram para violentá-la”.
Após o crime, a esposa, com roupas rasgadas e em estado de choque, conseguiu libertar o marido. “Choramos juntos, traumatizados, sem conseguir articular o horror”, afirmou.
Falta de ação
O casal caminhou até a aldeia Chak 62-GB Channan, onde vive com os três filhos. “Não tivemos coragem de contar o ocorrido às crianças. Ficamos em silêncio e oramos, pedindo a justiça de Deus”, disse Masih.
No dia seguinte, ele registrou a ocorrência, mas a polícia não avançou nas investigações até que o caso virou notícia. A intervenção do legislador cristão Ejaz Augustine, da Assembleia de Punjab, foi crucial: ele alertou o ministro-chefe da província, Maryam Nawaz, que ordenou prisões imediatas. Três acusados foram detidos em 24 horas.
Augustine, ex-ministro de Direitos Humanos, criticou a vulnerabilidade de minorias religiosas: “Mulheres cristãs são alvos fáceis para agressores, e a pobreza dificulta o acesso à justiça”. No Paquistão, o estupro é punível com morte ou prisão de 10 a 25 anos, mas a aplicação da lei é irregular, especialmente contra não muçulmanos.
Perseguição religiosa
O Paquistão, onde 96% da população é muçulmana, ocupa o 8º lugar na Lista Mundial de Perseguição 2024 da Portas Abertas, que classifica países pelo grau de hostilidade a cristãos. Comunidades cristãs, que representam 1,8% dos 240 milhões de habitantes, frequentemente enfrentam violência e discriminação.
O chefe de polícia de Punjab visitou a família e prometeu “severidade no tratamento dos acusados”. Organizações locais pressionam por apoio psicológico e legal ao casal, cujas identidades foram preservadas na mídia paquistanesa.