A comunidade cristã na Síria enfrenta um futuro incerto após uma onda de violência que resultou em mais de 1.000 mortos no início de março. Além das ameaças, muitos cristãos não recebem salários em seus empregos apenas por serem seguidores de Cristo.
A violência sectária, envolvendo os partidários do regime de Bashar al-Assad e seus opositores, especialmente em Latakia e Tartus, deixou mais de 1.300 mortos em menos de 72 horas, com várias escaramuças sangrentas causando dezenas de vítimas adicionais.
Embora os cristãos não fossem os principais alvos da violência, muitos pertencem a comunidades que foram diretamente atingidas, agravando ainda mais as preocupações entre a população cristã síria.
Em declarações ao The Christian Post, Brian Orme, CEO da organização de vigilância Global Christian Relief (GCR), relatou que a situação para muitos cristãos na região já era desesperadora antes da escalada da violência.
Ele citou relatos de cristãos que tiveram seus salários cortados, destacando que a aliança islâmica armada Hayat Tahrir al-Sham estava usando a fome como uma arma, negando pagamentos aos trabalhadores cristãos.
Além disso, surgiram informações sobre ataques iminentes a igrejas e destruição de cemitérios cristãos, e sobreviventes relataram ameaças de morte por telefone, com agressões específicas contra os cristãos.
Orme também observou que muitos dos grupos islâmicos ativos na região consideram os cristãos “infiéis” e não acreditam que haja um lugar para eles na Síria. Para apoiar os cristãos sírios, o GCR, em parceria com igrejas evangélicas e ortodoxas locais, tem trabalhado para fornecer ajuda emergencial e apoio de longo prazo. Desde dezembro de 2024, o grupo distribui alimentos, água limpa e abrigo a quem mais precisa.
A violência recente também colocou em evidência a fragilidade do governo sírio, com Orme afirmando que o presidente interino Ahmed al-Sharaa não exerce controle sobre suas forças militares. Embora Sharaa tenha condenado os ataques e pedido responsabilização, Orme desqualificou suas declarações como meras palavras vazias.
Em relação à resposta internacional, Orme pediu que os governos ocidentais, como o dos Estados Unidos, considerem a perseguição religiosa ao tomarem decisões políticas.
Ele criticou a possibilidade de os governos concederem isenções a regimes que perseguem cristãos, sugerindo que as sanções poderiam ser uma resposta, embora com cautela, para evitar que a situação piorasse para os cristãos já atingidos pela fome e falta de recursos.
Orme reforçou a importância do apoio contínuo da comunidade cristã ocidental, destacando que orações e doações ajudam a mostrar aos cristãos sírios que não estão sozinhos, que não foram esquecidos e que há esperança em Cristo, mesmo em tempos de grande adversidade.