Ver essa foto no Instagram
No último domingo, 23 de fevereiro, ocorreu a tradicional lavagem da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, evento simbólico que marca o início das festividades de carnaval. O pastor Cosme Felippsen, do Movimento Negro Evangélico, foi um dos participantes do ritual, gerando controvérsia ao afirmar que o carnaval “não é do demônio”.
A cerimônia, que reuniu baianas de diversas escolas de samba, antecedeu o último dia de ensaios técnicos na Passarela do Samba.
Felippsen fez uma defesa contundente do carnaval como uma expressão cultural carioca e criticou igrejas que realizam retiros durante o período carnavalesco. “A cidade e o carnaval não são do demônio, mas sim dos cariocas. Demônio não é sambar. Demônio é a fome que algumas famílias enfrentam, enquanto igrejas e pastores se enriquecem”, declarou.
O pastor de viés liberal, segundo o Exibir Gospel, também ressaltou a importância do respeito pelas religiões de matriz africana e denunciou o racismo religioso, afirmando: “Mais da metade dos brasileiros têm origem na Mãe África. Abandone o pecado da ganância e do racismo religioso. Respeite todas as crenças. Viva o amor!”
A cerimônia contou com a presença de representantes de diferentes religiões e foi prestigiada pelo prefeito Eduardo Paes (PSD) e o vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), conforme informado pelo jornal O Globo.
Historicamente, muitos evangélicos evitam participar das festividades do carnaval, pois entendem que a festa está associada a comportamentos e práticas contrários aos ensinamentos bíblicos, como a promiscuidade e o hedonismo.
Para alguns, o carnaval representa um período de imoralidade e desrespeito aos valores cristãos. Esse posicionamento é refletido na escolha de muitos evangélicos por se abstiverem da festividade e, em vez disso, dedicarem o tempo a retiros espirituais, oração e reflexão.
Questão espiritual
Recentemente, o pastor e escritor Renato Vargens fez uma publicação destacando que o Carnaval não é, meramente, uma festa popular, mas também um tipo de culto a falsos deuses. Ele citou como exemplo uma declaração do carnavalesco Milton Cunha, que explicou como os desfiles das escolas de samba possuem relação com o mundo espiritual.
“Para os mais velhos, o fundamento da escola de samba diz que, ao dobrar a escola é bloqueada pelo primeiro portão. Ali, aquela concentração energética, de não ter começado o desfile, é o início da ‘gira’. Os mais velhos dizem para nós que ali começa o ponto, ali começa a cantar para os mortos. Aqueles autores, daqueles sambas da história, eles vão voltar e vão se manifestar ali naquele começo”, disse Cunha. Confira:
Sambista diz que desfiles de carnaval ‘invocam espíritos’; Pastor faz alerta
