Em discurso na Regent University, o bispo Efraim Tendero, diretor-executivo do Movimento Galileu e ex-secretário-geral da Aliança Evangélica Mundial, alertou sobre a “crise de discipulado” na Igreja Global e defendeu mudanças estruturais para enfrentar desafios demográficos e espirituais.
Durante o encontro, ele criticou o modelo tradicional de avaliação de sucesso eclesiástico, denominado “ABC” (frequência, edificações e recursos financeiros), e propôs a adoção do “Modelo D”, centrado na formação de discípulos multiplicadores.
“Medimos sucesso pelo tamanho de prédios, arrecadação e números de frequentadores, mas não por quantos discípulos formamos”, afirmou Tendero, acrescentando: “A Igreja tem se voltado para dentro, enquanto bilhões permanecem fora do alcance do Evangelho”.
Barreiras ao discipulado
Tendero listou três obstáculos principais que, segundo ele, impedem a prática do discipulado:
- Autoenfoque excessivo: “Congregações estão mais preocupadas em manter membros do que treiná-los para influenciar comunidades. Uma igreja deve ser como um hospital: cura, mas não retém pacientes indefinidamente”, comparou.
- Falta de pereparo pastoral: “Muitos líderes não foram discipulados de forma relacional. Seminários focam em teoria, não em exemplos práticos. Não podemos dar o que não temos”, declarou.
- Falta de intencionalidade: “Programas não são o problema, mas se não levam as pessoas a se tornarem semelhantes a Cristo e a multiplicar discípulos, falhamos no essencial”, ressaltou.
Meta para 2033
Tendero propôs que os próximos dez anos, até 2033 — marco dos 2.000 anos da ressurreição de Cristo, da fundação da Igreja e da Grande Comissão — sejam dedicados a formar “trabalhadores da colheita semelhantes a Cristo”.
Por meio do Movimento Galileu, ele busca mobilizar um milhão de igrejas e instituições de treinamento. “A única estratégia que Jesus nos deu foi fazer discípulos. Se essa é a prioridade, o que faremos?”, questionou.
Desafio
Citando o Joshua Project, Tendero apresentou dados alarmantes:
- 11% da população global são seguidores ativos de Cristo;
- 21% são cristãos nominais;
- 40% ouviram o Evangelho, mas não responderam;
- 28% permanecem não alcançados.
“Em quase dois milênios desde a Grande Comissão, por que ainda há tanto por fazer? Precisamos de autorreflexão radical”, afirmou. Ele também destacou projeções demográficas: o Islã deve crescer 70% até 2050, contra 35% do Cristianismo, segundo estudos. “Essa disparidade exige ação imediata”, alertou.
Crítica
Tendero vinculou a estagnação a problemas históricos: dependência excessiva em clérigos profissionais, fragmentação de ministérios e priorização de “impérios institucionais” em vez do Reino de Deus.
“No livro de Atos, o crescimento veio de crentes comuns dispersos pela perseguição, não de líderes centrais. Precisamos resgatar essa simplicidade”, argumentou.
Contexto Histórico
A Grande Comissão, registrada em Mateus 28:19, é considerada o mandamento central do Cristianismo para evangelização global.
Movimentos de discipulado massivo, como o da Igreja Primitiva (século I) e avivamentos do século XVIII, frequentemente associaram crescimento a práticas simples e descentralizadas.
O debate sobre reformas no discipulado segue aberto, com encontros programados para 2024 em fóruns ecumênicos na Ásia e África. Com informações do Christian Daily