O ministério cristão Bíblias para a China (BFC), organização que atua desde 2011 no fornecimento de Escrituras Sagradas a comunidades rurais chinesas, relatou desafios e avanços em meio às restrições impostas pelo governo local.
Kurt Rovenstine, representante do grupo, afirmou que a demanda por Bíblias permanece alta, especialmente em regiões com acesso limitado a textos religiosos.
Contexto governamental
O governo chinês, que mantém controle rigoroso sobre atividades religiosas, classifica a distribuição de Bíblias como “desnecessária” em algumas regiões, segundo relatos de missionários.
Apesar disso, o BFC destaca que milhões de cristãos, principalmente em áreas remotas, dependem de iniciativas não oficiais para obter cópias das Escrituras. “Há locais onde os fiéis só têm acesso a trechos copiados à mão ou compartilhados oralmente”, explicou Rovenstine.
O site do ministério ressalta que a igreja chinesa busca ser “autossustentável e autopropagante”, mas enfrenta obstáculos logísticos e financeiros. “Nem todas as províncias têm recursos para adquirir Bíblias, mesmo em igrejas registradas”, acrescentou Rovenstine.
Segundo ele, em cidades maiores, templos registrados costumam estocar exemplares, mas fiéis de vilarejos distantes enfrentam dificuldades para acessá-los.
Estratégias
O BFC opera por meio da Amity Printing Press, maior impressora de Bíblias do mundo, localizada na China, que já produziu mais de 200 milhões de exemplares desde 1987. O ministério, financiado por parceiros em 45 países e 49 estados dos EUA, fornece Bíblias em mandarim gratuitamente a comunidades carentes.
“Romanos 10:17 nos lembra que a fé vem pelo ouvir a Palavra. Nosso objetivo é apoiar o crescimento espiritual na China”, declarou o grupo em nota.
Rovenstine destacou avanços: “Todos os anos, temos projetos ambiciosos. Este ano não é exceção”. Entre 2022 e 2023, o BFC distribuiu mais de 500 mil Bíblias, segundo dados internos. No entanto, áreas sob maior vigilância governamental ainda representam desafios. “Em algumas províncias, conseguimos trabalhar abertamente. Em outras, a logística é mais complexa”, admitiu.
Apelo por orações
O representante do BFC pediu apoio internacional por meio de orações. “Ore para que encontremos portas abertas para a distribuição, que os cristãos obedeçam ao chamado de Cristo, seja em igrejas registradas ou subterrâneas, e que as congregações mantenham a unidade”, concluiu Rovenstine.
O ministério também enfatizou preocupação com a divisão entre igrejas oficiais e não registradas, prática comum em regiões de perseguição religiosa.
Na China, o cristianismo é permitido apenas em igrejas registradas e sob supervisão estatal, com estimativas não oficiais apontando entre 60 milhões e 100 milhões de fiéis, incluindo comunidades clandestinas.
Desde 2018, o governo intensificou restrições, como a remoção de cruzes de igrejas e o monitoramento de cultos domésticos. Apesar disso, o BFC afirma que “Deus faz uma obra incrível no país”, citando crescimento não oficial de conversões em zonas rurais. Com: Mission Network News.